Não consigo mais me imaginar
Antes era fácil. Bastava que eu fechasse os olhos e eu conseguia imaginar meu rosto, meus cabelos, meu corpo. Conseguia imaginar-me nas roupas, andando, sentada, onde quisesse.
Hoje não.
Sempre que faço o exercício de me imaginar, sinto uma dificuldade imensa. Não vejo a figura. Talvez um borrão, uma deformidade.
Percebo uma desconexão imensa de mim comigo mesma, um desdém quase. Um não querer saber. E isso ficou triste e preocupante. Preocupantemente triste. Principalmente à noite, quando eu fazia esse exercício para relaxar e dormir, inventando sonhos de indução de sono, em cenários imaginários.
Pois é.
Nesse fim de semana uma amiga falou pra mim que nunca tinha me visto gorda... Essa amiga, já vou adiantar, é nova: nossa amizade tem menos de cinco anos e ela fez essa observação baseada no meu histórico de fotos de instagram. É claro, repliquei a ela: eu não tiro fotos de mim mesma quando estou gorda. E é nessa toada entre uma edição e outra, que vivo a minha vida e sofro os meus perrengues e as minhas dietas.
Já tem uns dois anos que não tiro boas fotos minhas. As selfies foram todas para o rosto, de três quartos de perfil, preferenciamente com algum filtro de maquiagem, já que eu não faço maquiagem há tempos. De corpo, só alguma foto em grupo, que alguém tirou sem eu pedir (ou querer ou autorizar).
A situação está periclitante e eu não quero chegar no verão de 2024/25 desse jeito. Sério mesmo. Ir pra praia assim é pedir para ser avaliada como a tia gorda e eu não estou com nenhuma vontade ou disponibilidade para ser a tia gorda.
Estou flertando com o Dukan novamente. Mesmo que ele não seja mais tão popular (as dietas têm prazo de validade?). A fome já diminuiu um pouco... só tem 5 dias (e eu já dei uma minideslizada)... mas...
Quem falou que a esperança é a última que morre nunca conheceu a gordura.
A gordura, essa sim, é a última que morre.
Bem depois da esperança...

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