Empatia não é caridade

 Eu queria deixar só o título. Empatia não é caridade. Para mim, ele serviria de maneira autoexplicativa.

Mas a vida não é autoexplicada. A gente precisa tecer com palavras as emoções que nos encharcam por dentro. E a minha emoção é essa: a solidão, embebida nos olhos daquele que vê alguém me olhando com caridade, mas dizendo que é empatia.

Gordos do mundo, uni-vos. Os olhares de caridade me arrastam para o fosso do infinito e tenho uma leve impressão de que lhes leva também a um lugar semelhante...

Enfim.

A minha dieta já foi para o buraco há dias. A ansiedade em perder quinze quilos se transformou na angústia de quem não emagreceu vinte gramas em uma semana de privação e reconfiguração alimentar. 

Estou cansada e acho que o que me está frustrando não é a dieta em si, mas a forma como minha vida está ordenada. Vou colocar as coisas em perspectiva aqui:

Tenho duas filhas, uma de quinze anos e outra de dois. Frutos de relacionamentos diferentes. 

Antes de engravidar da minha segunda filha eu fiz uma dieta bastante restritiva, que me garantiu um peso bacana, bem baixo, mas no limiar do sofrimento (porque eu não comia quase nada e estava sempre com fome). Perdi bastante cabelo, meus níveis de vitamina ficaram extremamente desbalanceados também. Ainda antes disso, quando minha primeira filha estava com quatro anos, fiz uma outra dieta, Dukan na época, que me trouxe uma alegria infinita em relação a emagrecer e a estar magra...os primeiros dias foram difíceis, mas logo que os carboidratos saíram do sistema, o corpo parou automaticamente de sentir fome e eu gostei muito de estar naquela situação de não querer comer. Foi a primeira vez na vida que não senti a compulsão.

Passei uns três anos magra...mas as coisas foram voltando a me encantar (e eu fui passando a comer o que não deveria comer, numa frequência que não deveria acontecer). Engordei novamente. Emagreci. Engordei. O tal efeito sanfona sempre fez parte da minha vida e hoje a sanfona está totalmente distendida, com o sanfoneiro de braços abertos para o horizonte. Um forró triste, digamos assim.

Eu gostaria imensamente de poder dizer que consigo controlar minha boca, mas não tenho conseguido. E isso não é sobre regras alimentares. Antes, penso que seja sobre a vingança de comer o que quero para me dar o único prazer que tenho tido nessa vida de atropelos e dificuldades. 

Eu como, em outras palavras, para me segurar da depressão derradeira de estar me sentindo extremamente mal comigo mesma.

Uau. Falar isso faz com que eu queira chorar. E talvez, comer chorando.

 


Comentários

Mensagens populares