Esperando a ajuda chegar
Nesta madrugada caiu mais uma ficha, desta vez, mais incômoda, embora real.
A ajuda, tão famigerada ajuda, era o que eu queria. Ou, inconscientemente, quero.
Começou como uma constatação sobre minha vida, no geral. Eu estou com uma certa dificuldade em organizar tudo que tenho de organizar no tempo que tenho para organizar esse tudo. Já fiz algumas listas de priorização, mas nunca com o foco certo e ainda não com a metodologia que dará frutos. Cada vez que tentei, deixei a lista pela metade, como tenho deixado meus desejos de melhorar a minha disciplina. Sim. Tudo pela metade.
Minha casa está bagunçada. Meu carro está uma zona de guerra. Meu armário, até que está organizado (ufa). Meu consultório é a única parte de mim que está perfeitamente organizado, limpo, arejado, bonitíssimo e que me faz ter vontade de ficar lá um tempão, com ou sem clientes.
No mais, a desorganização ainda impera e isso me incomoda imensamente.
Percebo o quanto eu gosto das coisas limpas, cheirosas, roupas dobradas e lavadas, escovas de cabelo no lugar certo, escrivaninha sem nada em cima, mesa sem coisas empilhadas. E minha casa está do avesso: tudo empilhado, brinquedos pelo chão, ferramentas do meu parceiro entulhadas onde deveria ser o buffet, com uma máquina de café e belas xícaras dispostas milimetricamente organizadas.
Falhei. Estou falhando nesta arrumação.
A culpa é da amamentação, eu falo. A culpa é da falta de tempo.
Mas, a bem da verdade, a responsabilidade é minha: eu não estou sabendo gerenciar o tempo de modo a priorizar o que tem de ser priorizado. Caio no automático facilmente e, quando isso acontece, o que priorizo é comer alguma coisa e ir dormir. Simples assim.
Mas não é nada simples. É um sofrimento. Uma sensação de humilhação e derrota que não me permite descansar um minuto sequer quando estou em casa.
Às vezes finjo não perceber ou não sentir. Mas só finjo, porque eu realmente só tenho olhos para isso, para a bagunça e para o fato de eu estar vivendo nessa bagunça, conivente com ela.
Ah, Deus, quanto eu queria alguém que me pegasse no colo e dissesse "vai ficar tudo bem, deixa que eu te ajudo" e me ajudasse. Limpasse minha casa, colocasse tudo no lugar. Ordenasse os sapatos, fizesse a cortina sob a pia. Varresse. Lavasse os lençóis. Tirasse as teias de aranha. Esfregasse as vidraças. Desse um fim na bagunça do quarto de brinquedos. Cozinhasse refeições balanceadas para todos nós e deixasse as marmitinhas arrumadinhas, para que levássemos para nosso trabalho.
Ah, quanto eu queria. Mas esse alguém tem de ser eu. E eu não quero mais ser esse alguém sozinha.
Só que não tem quem entre nesse lugar e só essa constatação me dá um sono danado... uma tristeza... um desânimo... e uma vontade de comer para anestesiar esse cenário...

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