Quando conhecer-se é a porta da cura
Esse poderia ser mais um blog sobre alimentação, dieta, dificuldades, tropeços e recomeços.
Tomei-o para mim assim, em sua concepção. Mas ele tem ido além. Uma avaliação sobre meus hábitos, sobre meus cansaços e dificuldades tem colocado foco em muitas características minhas que eu não reconhecia (ou não queria reconhecer) há muito. Interessante.
Minha habilidade social, a facilidade com a que posso manter uma conversa, escutar, estar presente para alguém, acabou por me garantir determinadas facilidades que montaram a fachada da minha personalidade. Pois é. Uma boa fachada.
Mas eu não sou só a fachada. Ninguém é. E como, de acordo com os últimos estudos da neurociência, a fachada não passa de cinco por cento, convenhamos: há muito mais por trás de mim que eu tenho conforto em admitir. E essas coisas que estão lá não são exatamente sociais, bonitas, felizes ou virtuosas; estão mais próximas do meu funcionamento basal, do bicho que sou primordialmente, das linhas de programação da minha genética e também dos comportamentos que eu alimento invisivelmente, escondida dos outros e do julgo dos outros, principalmente.
A gula está lá. Comer por prazer também. E esquecer que eu comi. E comer de novo.
Que fase.
Todos os dias são terminados com um suspiro ao me olhar no espelho, uma sensação de desistência e cansaço e uma promessa: amanhã, quem sabe?
Mas, a quem estou enganando? Ninguém. Amanhã chegou e não chegou a mudança. Vieram o sono, o atropelo, a necessidade de trabalhar desde bem cedo e uma vontade imensa de tomar um cappuccino GG, bem brasileiro, com um monte de pozinhos, açúcar, canela, cacau, leite em pó.
Amanhã, quem sabe?

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