Eu não me amo
O mecanismo é de uma simplicidade que chega a doer. Acho que, por doer tanto, mesmo sendo tão simples, é que não consigo sair dele, nem contorná-lo. A bem da verdade, estou começando agora a entendê-lo: o que me falta é amor próprio.
E não desse amor que a gente tira, artificialmente, de se olhar no espelho, fazer uma maquiagem e colocar uma roupa alinhada para sair de casa. Todas essas coisas eu já tenho feito. Estou falando do amor que nos faz colocarmos nossas querelas na frente das querelas dos outros. Nossas obrigações, com foco claro, nossas necessidades, com urgência.
Eu estou sempre apagando incêndios e achando que outras pessoas têm prioridade: minhas filhas, meu marido, meus pais, meus clientes. Que frustração. Que incômodo. Em troca disso, me recompenso com pequenas coisas que não têm importância, mas que mantém minha dopamina bem servida: não me privo na hora de comer, não me seguro na hora de ficar até mais tarde vendo um filme, passo um bom tempo fazendo conteúdos para redes sociais (e tenho escrevido minhas poesias cada vez com menor frequência).
Será que eu nasci assim? Será que aprendi a ser esse ser servil ao longo do tempo? Será que importa como tudo começou? Ou devo focar simplesmente no que eu consigo controlar, que é o daqui para a frente?
O que eu quero é o resgate. Mas não me engano: estou pedindo para ser resgatada por terceiros. Quero colo, carinho, complacência. Quero estar rodeada de pessoas que me queiram e que me entreguem leniência, presentes (físicos e mentais). Quero que resolvam para mim, que limpem para mim, que me afastem da dor. Que sina.
Preciso fazer uma lista de prioridades e começar a colocar em ordem a vida que desejo para mim.
No topo? Organizar a casa. Depois, colocar em dia das roupas dos quatro ocupantes. Depois, limpar meu carro, especialmente por dentro, que está uma bagunça. Quero um horário para escrever minhas histórias, outros para pensar novos negócios que ficam embrionários por décadas em minha mente, antes do aborto inevitável. Quero comer coisas saudáveis. Fazer exercícios. Quero emagrecer, cuidar de mim e dos meus. Quero dinheiro sobrando, para viajar, comer num restaurante, quem sabe. Quero mudar alguns padrões de comportamento que me arrastam para a procrastinação e desorganização.
Está na hora de começar...mas, antes, preciso resolver um assunto mais mundano. Quem sabe, amanhã começo?

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