Madrugando na segunda semana

 Ontem foi dia das mães e a reeducação alimentar ficou um pouco, digamos, mal educada.

Ora, um almoço na casa da sogra, com tropeiro, churrasco e sobremesa não tinha como acabar mal para mim, só para o plano de calorias restritas que eu tenho seguido. Dei de ombros. Era festa.

Passei o dia inteiro pesando internamente as culpas e calorias das coisas, sem deixar de comer, nem de repetir. Teve pudim de leite condensado. Teve cocada. Teve bolo de fubá, pão de queijo e bala de coco recheada com nozes. Meu estômago foi host de uma festa animada e diversa. E eu com ele.

Chegando em casa, fiquei com aquela sensação meio triste, meio desoladora, de balde chutado. Cheguei a pensar "dane-se essa dieta. eu não vou emagrecer mesmo, a quem estou enganando?". A depressão bateu quando deitei na cama, à noite, e percebi o quanto o caminho era longo. Uma semana não faz quase diferença nenhuma no quadro final; só mesmo na construção da constância e persistência. Ou na quebra dessas últimas, quando há uma festa, um feriado, uma desculpa qualquer para fugir de me levar a sério.

Não é a comida que me assombra, percebi. É o não.

Você não pode fazer o que quer, na hora que quer, Carolina. Você não pode ter o que quer na hora que quer, Carolina. Isso me assombra. Não é a privação. É a negação. A rejeição.

Começo a perceber que dentro de mim mora uma princesa voluntariosa. Ela quer seus desejos resolvidos e bem e rápido e sem ressalvas. Ela dá um presente em retorno, mas fica louca se não recebe o que quer. 

Ela pode até não dar show, porque não é das princesas barraqueiras... mas com certeza ela desespera internamente e entra em colapso toda vez que precisa rearranjar os combinados que ela faz com suas próprias expectativas e com os outros, dentro dessas expectativas. Haja paciência.


Comentários

Mensagens populares